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Às vezes um pouco modificado, é verdade, mas Heráclito já se disse sobre ser impossível entrar duas vezes num mesmo rio, pois ele se modifica então nunca mais é o mesmo rio. Impossível ter o mesmo pedal duas vezes. E a cada edição, ele é outro, e o mesmo.

Até o momento essa foi a edição com o maior quórum. 10 ciclistas. Só não completamos um time de futebol, porque o Leonardo teve uma baixa. Ou melhor, sua bicicleta o deixou na mão. Mas mesmo assim ele esteve no ponto de encontro (a pé).

Também acho que foi mais tranquila (logo verão que não para mim) e a edição mais engraçada.

Seguimos o mesmo roteiro de sempre. Sem muitas mudanças.

Dessa vez “Seu” Vicente já estava melhor. Já recuperado da dengue que o acamou e o acalmou na semana passada.

Sob o viaduto Negrão de Lima, reencontramos uma mulher com um bebê. Nos demos conta que quando começamos esse nosso projeto, ela estava grávida e agora tem esse bebê.

Em Madureira, mais uma família inteira ao relento. Pai, mãe e filho. Isso mostra que nem todos que estão na rua são alcóolatras, drogados ou marginais. São sim marginalizados pela sociedade.

O guaraná acabou rápido e então o grupo se dividiu. Paulo, Vinícius e Rogério foram à casa do primeiro buscar mais guaraná e roupas para a criança que encontramos. Enquanto o restante do grupo seguiria num ritmo mais tranquilo para encontrá-los no meio caminho.

Bem, enquanto a gente ia adiante para encontrá-los, este que vos escreve passa por um momento digno de vale-tudo.

Ao acordar um cara que dormia escondido num cantinho, este então acorda extremamente assustado (também quem não se assustaria ao acordar e ver um cara de roupa colorida, coladinha no corpo e usando capacete???) e começa a desferir pontapés em minha direção, enquanto eu tentava apenas me defender e principalmente acalmá-lo…

Ânimos acalmados, pazes feitas e nenhum knock-out… Ufa!!!

Seguimos em frente.

Em Marechal Hermes, já com os três novamente no grupo, terminamos o nosso serviço.

Terminamos?

Que nada! Pedal sem fome dá é fome!

Com direito a umas 10 empadinhas e 5 bananas para nosso amigo. Que de tanto consumir, acaba com o estoque de empadinhas da tia da barraquinha que vai embora toda sorridente. :)

Missão cumprida, retornamos para casa satisfeitos ao extremo, pois com o número de participantes, conseguimos manter a mesma quantidade de comida/bebida e ainda adicionamos varias roupas para serem doadas.

É preciso refletir sobre o papel social de cada um. O ser humano precisa construir o seu novo ser. Atualmente, temos um grande desafio na vida: construir o nosso ser com espírito ético, fraternal e voltado para o resgate de uma segurança social.

A realidade nua e crua: dois terços da população mundial vivem em condições de pobreza absoluta e cerca de vinte por cento desse contigente passa fome. Isso mesmo, FOME!

Sabemos que o número de pobres é um bom instrumento para se avaliar o desenvolvimento humano. De acordo com o Monitor da Pobreza do Banco Mundial, o número de pessoas que vivem na pobreza extrema (renda inferior a 1 dólar por dia) continua aumentando absurdamente. Esse quinhão de pessoas desprovidas de qualquer condição de sobrevivência atingiu a triste marca de 1,2 bilhão de miseráveis em 1987. Em 2001 chegamos a 2,7 bilhões, isso porque a previsão do Monitor para 2015 era de chegarmos a casa dos 2 bilhões. Atingimos esta triste realidade muita mais rápido do que qualquer cálculo ou estudo matemático. Não há mais previsões certeiras nesta área, infelizmente…

No Brasil temos cerca de 57,7 milhões de pessoas pobres, ou seja, em torno de 33,2% por cento da população é pobre ou miserável. Por outro lado, cada brasileiro paga R$ 6.000,00/ano pela corrupção do país. Pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas com base em dados do Banco Mundial e da organização não-governamental “Transparência Internacional” mostra essa dolorosa realidade.

Isso tudo nos causa perplexidade ética, mas apenas a indignação, na maioria das vezes, não se transforma em ação.

Ter boas intenções não basta! É preciso agir na busca do confronto contra todas as mazelas que ferem a ética do direito constitucional “dignidade da pessoa humana”, estabelecido no inciso III do artigo 1º da Lei Maior.

A corrupção é uma torneira que esvai os recursos que poderiam salvar muitas vidas, construir escolas e hospitais, fazer estradas para escoar a produção agrícola, preservar o meio ambiente, matar a fome do povo, etc.

Ser ético é um grande negócio. A ética é um investimento que traz muitos frutos. Um professor de ética profissional, no Paraná, ao falar para empresários em um evento, citou “se você for correto na sua empresa, as pessoas vão ter confiança em você, no trabalho e no produto. O lucro aparece na seqüência”. Em matéria publicada em um periódico, a Auditora-Fiscal Ana Emília Baracuhy Cavalcanti, diz que não existe um manual de procedimentos éticos, pois o comportamento ético é um “impulso natural por agir corretamente nascido da nossa livre compreensão das coisas. É essencialmente espontâneo. É naturalmente orientado para não causar dor ou sofrimento e para fazer o bem sempre que possível. O respeito profundo por si e pelos outros é a base do comportamento ético”.

Nesse sentido, várias empresas do país estão investindo cada vez mais na ética. A ética passou a ser um assunto discutido por toda sociedade brasileira.

Isso tudo chama-se ética de responsabilidade solidária, que significa colocar-se no lugar do próximo. É se indignar com as minorias que são apartados da sociedade. É fazer algo para reverter a situação de vítima de todos aqueles sofredores da exclusão social.

No livro “Conversando sobre Ética e Sociedade”, os professores Jung Mo Sung e Josué Cãndido da Silva, definem que uma ação solidária é necessariamente uma ação coletiva que se expressa atualmente nos movimentos sociais em defesa dos mais fracos – movimento pelos direitos humanos, ecológico, de mulheres, índios, de combate à fome e tantos outros que se baseiam numa nova ética social, a ética solidária. Eu já acredito que, mesmo que uma adorinha só não possa fazer o verão, ações individuais podem começar todo o processo, e você?

É necessário pararmos com a repetição irritante de botar a culpa de todas as mazelas da sociedade somente no governo. Vamos aproveitar a oportunidade para definir as expressões “Estado” e “Governo”.

Para o professor e escritor, Hely Lopes Meirelles, o conceito de Estado varia conforme o aspecto em que é considerado. Do ponto de vista sociológico, é “a corporação territorial dotada de um poder de mando originário”; sob o aspecto político é “a comunidade de homens, fixados sobre um território, com potestade superior de ação, de mando e de coerção”; sob o prisma constitucional, é “a pessoa jurídica territorial soberana; na conceituação do Código Civil, é “a pessoa jurídica de direito público interno”.

O governo, em sentido formal, é o conjunto de Poderes e de órgãos constitucionais; em sentido material, é o complexo de funções estatais básicas; em sentido operacional, é a condução política dos negócios públicos. O Governo é um dos elementos do Estado. Os outros são Território e Povo. Governo é a base condutora do Estado, que detém e exerce o poder absoluto de auto-determinação e auto-organização emanado do Povo.

Como vimos, Governo é diferente de Estado. Governo deveria ser todos nós. Existe, assim, uma falsa imagem de todos sobre a diferença entre Governo e Estado. Essa ignorância faz com que as pessoas se revoltem contra o Estado como se estivessem se revoltando contra o Governo. O cidadão quebra os telefones públicos, picha os muros das escolas públicas com palavras de baixo calão, quebram ônibus, com o sentimento de que o bem público é daquele que exerce o Governo.

Através da conscientização da distinção entre Governo e Estado, alguns males da sociedade poderiam ser resolvidos com a participação ativa da sociedade civil organizada.

A ética e a responsabilidade social têm que ser repensadas em todos os seus aspectos. Vamos repensar?

Texto reproduzido com autorização e publicado originalmente no: http://mapadaterra.wordpress.com/2008/04/16/etica-e-responsabilidade-social/

10 foi dez

Meus amigos ontem foi dez, a nota foi dez, mas foram dez companheiros que juntos formaram um grupo que tinha como único objetivo ajudar e dar atenção àquelas pessoas, que muitos fingem nao existir. Pessoas às margens da sociedade, e que sociedade. parecem invisíveis, alguns fingem que não existem, outros querem se ver livres delas mas nós as consideramos seres humanos. Frio, muito frio, é o que elas sentem nessas noites de outono. Meus amigos o PEDAL SEM FOME começou com o objetivo de levar comida, mas agora vemos que só comida não basta, temos que tentar aquecer as madrugadas frias que nossos irmãos passam ao relento. Quero agradecer a todos que estiveram lá ontem e que a semana que vem consigamos fazer tudo denovo com mais méritos. Obrigado meus irmãos pelo grupo, é por essas atitudes que sabemos que ainda vale a pena acreditar nos seres humanos. Até a próxima.

Organize-se!

Assistiu?

Então, talvez seja hora de se unir e fazer algo para melhorar o local em que vive e não apenas esperar o poder público. “Quem sabe faz a hora”, afinal o único ser que faz sucesso sentado é a galinha!

Mexa-se, organize-se, mude!!!

Produza menos lixo ou recicle o que produzir, acabe com as goteiras, não coma carne, não deixe água parada, doe suas roupas usadas, doe sangue no Hemorio ou qualquer outro centro de hematologia de sua cidade, plante uma árvore, ande menos de carro e mais de bicicleta… gestos simples que podem desencadear um resultado final maior que o esperado e bem positivo.

“Se você não mudar a direção, terminará exatamente onde partiu.” (Provérbio chinês)

Lembrando que hoje, segunda-feira (12/05), teremos Pedal Sem Fome.

Venha participar. Ajude como puder. Traga sanduíches, guaraná natural, roupas para o frio ou um simples aperto de mão.

Encontro as 20:30, na Univercidade (Av. Ministro Edgard Romero, 807 - Vaz Lobo).

Qualquer dúvida, entre em contato.

Na escola, lá com a tia Tetéia, aprendemos que qualquer número multiplicado por zero é igual a zero.

Ontem pareceu que todo o nosso trabalho foi multiplicado por zero, pois apesar do pouco que fazemos, sentimos que se não tivéssemos feito nada, pois com a chegada do frio, vimos que a necessidade é muito maior que a que normalmente encontrávamos.

Ontem fizemos um roteiro diferente começando pela Vila da Penha.

O primeiro grupo atingido foi um casal que fica em frente a uma igreja católica próximo ao Largo do Bicão. O homem não parava de chorar contando as injustiças familiares que o fizeram parar ali na rua. Nesses momentos, mais que a comida, as pessoas querem atenção, pois é algo que eles raramente têm devido a esse pré-conceito que sofrem e que os deixam à beira da socidade.

Papo vai, papo vem. Vamos em frente! Próxima parada, Vista Alegre.

Fomos ver se encotrávamos alguém no campo de futebol denominado Campanário. Não tinha ninguém. Porém no caminho, sob a marquise de um bar, encontramos três amigos cantores/humoristas/apaixonados. Foi difícil acordá-los, porém depois de acordados, acho que vararam a noite inteira zoando entre si. Durante todo o tempo que estivemos com eles, brincaram e destilaram amores entre si, contaram piadas e para finalizar, cantaram Emoções de Roberto Carlos, e sabiam mais da letra que eu, apesar da pseudo-sobriedade, deles, não a minha.

Saímos e ainda estavam a mil/hora. Será que o guaraná estava muito forte??? 

Até a semana passada, eu tinha visto um grupo grande aonde era a antiga Cobal. Ontem, quando fomos, só encontramos 4 pessoas. Descobrimos que o outro grupo foi expulso pela prefeitura e o pior, teve todos os seus (poucos) pertences tomados enquanto faziam ali mesmo na rua uma sopa para espantar a fome e o frio. Também conhecemos o “mineiro” que como o próprio apelido sugere, é um mineiro que veio ao Rio de Janeiro pedalando numa monareta. Esse sim é aventureiro!!!

Em Madureira encontramos nossos amigos de longa data. “Seu” Vicente, um senhor, por sinal o mais animado e falador do grupo, ontem se encontrava apático, sem farrear como de costume. Estava com dengue. Relaxava-se em seu “colchão” de papelões enquanto se desculpava por não se levantar para nos receber, pois o mal-estar não permitia.

Uma outra mulher, que não sabemos o nome, também queixava-se muito de dor de dente.

Do outro lado de Madureira, também encontramos uma mulher com muita febre. Morria de frio devido a sensação febril somada ao frio da noite e cobria-se apenas com um lençol.

Que falta faz uma analgésico/anti-pirético nesse momento. Uma simples cartela de Paracetamol já resolveria o problema desses três.

Foi saindo dali que tivemos a sensação que todo o nosso trabalho era multiplicado por zero, pois apesar de fazermos algo, são as coisas mais simples (oumais essenciais) que fazem falta, nesse caso, a saúde.

Já pensaram se todos os médicos ou dentistas ficassem responsável por apenas uma, isso mesmo, uma única pessoa (com direito a pleonasmo e tudo)? Acho que seria uma grande ajuda!

Qual o preço do seu almoço?

Talvez o preço de uma lágrima.

Já imaginaram alguém se debulhar em lágrimas por um simples sanduíche de pão com “mortandela” (SIC)?

Bem, isso é papo para outro momento! Ou se quiser, venha participar conosco e ver com seus próprios olhos.

Abraços e até o próximo pedal na segunda-feira (12/05)

Parafraseando Roberto Carlos, foi mais uma noite de muitas emoções, levamos nossos lanches como de costume e encontramos além de irmãos carentes de alimentos, de saúde, também passando muito frio. Isso nos deixou muito sensibilizados, agora vamos precisar de agasalhos, pois está chegando o inverno e nós que temos nossas casas quentinhas muitas vezes não nos damos conta do quanto é duro viver ao relento. Vamos lá pessoal, vamos nos unir para conseguir o máximo de agasalhos e cobertores para levarmos na próxima segunda. Vamos conseguir.

PS. Quanto ao título,  é que ontem só conseguimos ir três, nossos outros integrantes tiveram problemas, mas segunda que vem estaremos com o time completo.

Voltando um pouco no tempo (bem pouco), eu me vejo levando um vida completamente sedentária. O meu único exercício diário era o levantamento de copo (de cerveja). Continuei tomando cerveja, mas além da cerveja, resolvi tomar juízo e decidi fazer uma ativadade física, comprei uma bike e comecei a pedalar. Jamais imaginaria que tão rapidamenta eu iria conhecer pessoas legais, direcionadas para o bem. Estou me referindo a galera do PEDAL SEM FOME, MEUS NOVOS AMIGOS, pessoas que também tomaram uma atitude, a de ajudar nossos irmãos desprovidos de tudo, gente que tá na rua, que vive na rua. Nas poucas vezes em que participei, percebi que além do pão e do guaraná, também são oferecidos, o contato, a palavra, a amizade, enfim, o amor, e o amor é o alimento da alma. Quando eu chego em casa depois do pedal sem fome, eu me sinto muito bem alimentado e percebo que o que eu fiz foi o bem a mim mesmo.

Obrigado, meus amigos, por me abrirem os olhos espirituais. Em breve não vou mais praticar levantamento de copo. Só esportes e o bem, aos outros e a mim.

Um forte abraço a todos!

Demorou, mas finalmente saiu uma foto do pessoal! ;)


Da esquerda p/ direita: Ítalo, Paulo (escondido), Alexandre, Jeferson, Gledson (este que vos escreve), Leonardo e Vinícius

Faça parte você também, de qualquer forma, não obrigatóriamente no nosso pedal. São tantas as formas de se ajudar alguém. O simples ato de levantar para um idoso se sentar num ônibus já é algo bem legal, mas as pessoas hoje em dia nem respeitam mais aqueles primeiros bancos com os encostos pintados de vermelho que são destinados a portadores de deficiência, maiores de 65 anos e gestantes, é um absurdo isso. Um amigo brincava muito comigo dizendo que quanto mais ele conhecia o ser humano, mais ele gostava do seu cachorro, e taí, uma grande verdade, ainda bem que ainda tem gente que pensa em fazer o bem pelo próximo senão como seria. Os valores da sociedade estão se perdendo, inclusive na família. Hoje em dia como é difícil você ver uma criança pedir a benção aos pais, eu tenho 31 anos e ainda faço isso, como será no futuro essa criança, sem respeito algum por uma pessoa mais velha e até mesmo seus pais.
Queria deixar aqui um grande abraço pra todos vocês do Pedal sem Fome, e que Deus nos ajude nessa empreitada…

É isso ae rapaziada, hoje foi uma segunda daquelas…
Sem grandes surpresas, mas repleto sempre de aventuras e situações engraçadas…rs Salve Gledson!!!! Tranquis meu véio!
Então, foi muito bom essa noite, chegamos no Mercadão, e pra minha surpresa, a população lá aumentou consideravelmente! Bom por um lado, ruim por outro(mais irmãos pelas ruas…)
Depois, partimos para Marechal Hermes, onde a “galera” é firme e forte por lá.
Graças a Deus, cumprimos com dignidade e amor a missão que Deus nos confiou, e espero pela próxima semana, se Deus assim permitir!
Um grande abraço aos manos, Gledson, Loyola, Jeferson, Paulo, Leo!
Fui!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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