Multiplicando por zero
8/Maio/2008 de Gledson
Na escola, lá com a tia Tetéia, aprendemos que qualquer número multiplicado por zero é igual a zero.
Ontem pareceu que todo o nosso trabalho foi multiplicado por zero, pois apesar do pouco que fazemos, sentimos que se não tivéssemos feito nada, pois com a chegada do frio, vimos que a necessidade é muito maior que a que normalmente encontrávamos.
Ontem fizemos um roteiro diferente começando pela Vila da Penha.
O primeiro grupo atingido foi um casal que fica em frente a uma igreja católica próximo ao Largo do Bicão. O homem não parava de chorar contando as injustiças familiares que o fizeram parar ali na rua. Nesses momentos, mais que a comida, as pessoas querem atenção, pois é algo que eles raramente têm devido a esse pré-conceito que sofrem e que os deixam à beira da socidade.
Papo vai, papo vem. Vamos em frente! Próxima parada, Vista Alegre.
Fomos ver se encotrávamos alguém no campo de futebol denominado Campanário. Não tinha ninguém. Porém no caminho, sob a marquise de um bar, encontramos três amigos cantores/humoristas/apaixonados. Foi difícil acordá-los, porém depois de acordados, acho que vararam a noite inteira zoando entre si. Durante todo o tempo que estivemos com eles, brincaram e destilaram amores entre si, contaram piadas e para finalizar, cantaram Emoções de Roberto Carlos, e sabiam mais da letra que eu, apesar da pseudo-sobriedade, deles, não a minha.
Saímos e ainda estavam a mil/hora. Será que o guaraná estava muito forte???
Até a semana passada, eu tinha visto um grupo grande aonde era a antiga Cobal. Ontem, quando fomos, só encontramos 4 pessoas. Descobrimos que o outro grupo foi expulso pela prefeitura e o pior, teve todos os seus (poucos) pertences tomados enquanto faziam ali mesmo na rua uma sopa para espantar a fome e o frio. Também conhecemos o “mineiro” que como o próprio apelido sugere, é um mineiro que veio ao Rio de Janeiro pedalando numa monareta. Esse sim é aventureiro!!!
Em Madureira encontramos nossos amigos de longa data. “Seu” Vicente, um senhor, por sinal o mais animado e falador do grupo, ontem se encontrava apático, sem farrear como de costume. Estava com dengue. Relaxava-se em seu “colchão” de papelões enquanto se desculpava por não se levantar para nos receber, pois o mal-estar não permitia.
Uma outra mulher, que não sabemos o nome, também queixava-se muito de dor de dente.
Do outro lado de Madureira, também encontramos uma mulher com muita febre. Morria de frio devido a sensação febril somada ao frio da noite e cobria-se apenas com um lençol.
Que falta faz uma analgésico/anti-pirético nesse momento. Uma simples cartela de Paracetamol já resolveria o problema desses três.
Foi saindo dali que tivemos a sensação que todo o nosso trabalho era multiplicado por zero, pois apesar de fazermos algo, são as coisas mais simples (oumais essenciais) que fazem falta, nesse caso, a saúde.
Já pensaram se todos os médicos ou dentistas ficassem responsável por apenas uma, isso mesmo, uma única pessoa (com direito a pleonasmo e tudo)? Acho que seria uma grande ajuda!
Qual o preço do seu almoço?
Talvez o preço de uma lágrima.
Já imaginaram alguém se debulhar em lágrimas por um simples sanduíche de pão com “mortandela” (SIC)?
Bem, isso é papo para outro momento! Ou se quiser, venha participar conosco e ver com seus próprios olhos.
Abraços e até o próximo pedal na segunda-feira (12/05)
[...] vez “Seu” Vicente já estava melhor. Já recuperado da dengue que o acamou e o acalmou na semana [...]